Uma Pacata Menina

Uma pacata menina trazida do seio de sua terra de um povoado distante, de ilibada reputação, acariciada por sua juvenil feição. Ia à cidade grande buscada por um conhecido de um conhecido que arregimentava gente como ela. Para todos que perguntarem iria a fim de estudar – trabalhar de doméstica seria temporário.
 

Passou algum tempo e a morada das apostilas e cadernos foi ficando para trás na obscuridade dos cantos –, na sombra do canapé, acima de estantes e móveis no alçapão. O presente apoderou-se da juventude feminina aos fitos do ardor do trabalho sem a mínima complacência – porque a dor não é exclusiva.
 

Pela manhã a conhecida outorgava-lhe os dissabores das tarefas naquilo condizente a um lar. Pela noite depois que o conjugue da conhecida asseverava(1) o gentil descanso da companheira – uns beijos seguidos de um cochilo – infligia a pior das injúrias no leito da pequena menina. Como um vulto assassino incutido de perversidade desflora mutilando aquela mocidade ingênua, destruindo aos golpes uma criança. Assegurava o agressor, com uma das mãos, a apertar aquela boca pequena prendendo os lábios para que não grite. A defesa contra aquele ato infame.

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(1) Asseverar: assegurar;