Às mãos que criam o título fazem pensar nas outras
de tão leves. Mãos que marcam notadamente a fina sintonia de uma nota
angelical. Por força, por paixão, grandes são aquelas pequenas e delicadas,
iluminados círios orquestradas.
Penso quão leves. Detivera a primazia de tocar os
dedos de sua mão. As minhas eram sujas, estavam feridas. Apalpar as suas era
tudo. Creio que nem as mãos seriam tão cortejadas, um objeto virtual da
criação.
Vem a mim, ave graciosa; corteja-me e direi que é
deus, um busto em mármore, espádua talhada de dias e dias de trabalhos exaustos
que o artista consumiu em prol da perfeição.
É tão especial. É a soma dos dias pedidos onde a
noite observou a lua já passara para um novo minguante. Eram seus sussurros que
vi aparecer e desaparecer nas sombras do quarto, da cozinha e do corredor.
Jamais foi tão escuro no dia em que elas faltaram.
Tateava na busca daquela mão segurar-me, meu relicário. Existirá mesmo? Será a
fortaleza de meu pensamento? Quando abro os olhos e vejo o que foi queria não
abri-los mais. E por todo sempre a contemplar as alvas mãos que como uma
libélula voa entre as trevas da minha emoção.