Tarde da Noite



– Ele é seu filho também! Porque está agindo assim! – uma voz ecoava pelo ambiente escuro e aterrador de uma saleta. Aos fundos, detrás de uma parede picotada de gesso, estava alguém tentando dormir, estranhamente não conseguira por conta da primeira voz. Talvez pudesse contar carneirinhos ou os objetos desafiadores no seu quarto: um criado mudo, a própria cama onde estava, um guarda-roupa com um espelho, que ao levantar de manhã dava a vê-lo desarrumado. Uma mesa, alguns livros de contos antigos e um abajur, desses com ares com ares modernos.

– Preciso de dinheiro! O dinheiro acabou!  


– Mas já? – retrucou a voz do outro lado


– Não imaginas que não iria telefonar se não fosse urgente! –aferra a primeira.


– Urgente pra quem? Pra ele ou para ti?


– Pelo amor de Deus! Não faça assim!  


O ar daquela conversa continuou além mais. Não o bastante para de tempos em tempos os personagens envolvidos não desmerecessem sua agitação e sentimentos contrariados. 


Era uma carga emocional, mas não precisava; qualquer banco 24horas resolveria a situação. Ou um computador ligado á internet, mesmo fazendo anos de separação, as coisas nunca davam certo para também não serem mais tentadas.