Belém, algum dia no verão!
Cidade vazia! Rodoviária lotada!
Dos ônibus que circulam nada parece lembrar os dias
que antecediam as férias de julho! Mas lá estavam eles reduzidos pela metade da
frota, um conluio do empresariado e governo que aproveitam do povo, a ignorância
para sua sobrevivência; o mais estranho, é que nada diz o contrário, e entra
ano e sai ano, e a mesma história de sempre se repete.
Um rápido olhar: a criança no colo da mãe. Por ela
passa assuntos tão menos problemáticos, e mais práticos para serem resolvidos.
Por que ela olha? Os olhos arregalados de quem está tentando descobrir? É algo
sucinto que espelha seu modo de ação mastigando a rodela de laranja presenteada
pela mãe.
A criança: um garoto que cabia nos cinco anos, cor
de bronze, com os olhos mais ressabidos de tudo! Deveria ser ele um porta-voz
do futuro dos homens! – um futuro desconhecido, que não está para ser entendido
a não ser que você seja uma criança e que olha e que olha seu espaço na
tentativa de entender, mesmo que em vã, o intricado sistema que se estrinchou!
Nada seria tão desanimador quando a mãe admoesta o
filho. “Não fique olhando para os outros; olha para frente”! O carinho maternal
inibe, mas depois de minutos, tudo volta de novo!
A criança redobra a curiosidade, o rapaz retrai-se
na cadeira no seu mp3; a moça instigada se abre pelo telefone aos ouvidos de
todos, preponderância da voz mais alta que os seus ouvintes.
O presente aí está; depois que os olhos da criança
passam o futuro já não será mais o mesmo!